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Jornalistas renomados viram estrelas no teatro da Faculdade Cásper Líbero

No dia 08 de março, a Faculdade Cásper Líbero inaugurou seu ano letivo realizando palestras com três convidados especiais, com o intuito de discutirem o jornalismo contemporâneo e compartilharem suas experiências na carreira.

O evento teve início pela parte da manhã com a primeira convidada, Patrícia Campos Mello, dividindo suas experiências como repórter especial da Folha de S. Paulo. A jornalista é formada na Escola de Comunicação e Artes da USP e mestre em Economia e Jornalismo pela New York University. Em sua palestra, comentou sobre como é ser uma correspondente no Oriente Médio e as dificuldades de produzir matérias em uma cultura totalmente diferente da brasileira.

Patrícia Mello viajou pela Síria, Iraque, Turquia e Líbia. Nesses países, ela acompanhou o dia a dia das famílias que vivem em cidades destruídas e que ainda convivem com a guerra no cotidiano. Também fez reportagens sobre refugiados de guerra e sobre soldados que lutam diretamente no conflito contra o Estado Islâmico (ISIS).

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Patrícia Campos Mello.

 

Além das diversas reportagens, ela foi a primeira mulher a conseguir uma entrevista com um membro do Estado Islâmico. Mesmo diante de uma cultura conservadora e do radicalismo da ISIS em relação ao sexo feminino, Mello afirma que as mulheres possuem maior facilidade para dialogar e obter informações em locais onde há conflitos:

“Ser mulher é uma vantagem ao fazer as reportagens no Oriente Médio. Nós temos mais acesso a locais e pessoas que os homens não conseguiriam. As mulheres de lá só falam com jornalistas mulheres, principalmente as que sofreram abuso ou foram escravas sexuais”.

Finalizando a apresentação, Patrícia Mello explicou como deve acontecer a preparação do profissional para fazer uma cobertura ou reportagem internacional: “Não podemos ser como um turista mal informado em um país tão diferente do nosso. Deve-se ler muito, procurar ONGs locais e contatar a embaixada brasileira no país, para que lhe passem informações de fontes boas para realizar o trabalho” e acrescenta: “Ser correspondente em guerras fez com que eu me colocasse no lugar daquelas pessoas, e isso mudou minha perspectiva sobre a vida”.

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A segunda palestra realizada durante a manhã foi com a jornalista e apresentadora do tempo do Jornal Nacional: Maria Júlia Coutinho.

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Maria Júlia Coutinho.

 

Conhecida pelo público como Maju, ela é formada em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e trabalhou na TV Cultura antes de iniciar sua carreira na Rede Globo. Mas ser jornalista não foi o plano inicial da paulistana. Iniciou os estudos em Pedagogia na USP com muito apoio dos pais, que são professores, e no mesmo ano começou o curso de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.

Estudando em duas faculdades e em cursos totalmente distintos, Maju decidiu que sua paixão era mesmo pelo jornalismo, e então largou a faculdade de pedagogia. Na Faculdade Cásper Líbero, ela participou do programa Edição Extra, da TV Gazeta, no qual realizou seus primeiros trabalhos como repórter.

Logo depois, aos 25 anos, assumiu a bancada do Jornal da Cultura ao lado de Heródoto Barbeiro. Em 2007, começou a trabalhar na Rede Globo como repórter. Iniciou sua carreia como apresentadora da previsão do tempo no Jornal “Bom Dia Brasil” e seguiu até chegar ao Jornal Nacional. Em 2016, ela lançou um almanaque do tempo chamado “Entrando no Clima”.

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Maria Júlia Coutinho foi a primeira mulher do tempo negra na Televisão Brasileira. Em 2015, ela foi alvo de comentários racistas de internautas nas redes sociais do Jornal Nacional.

“Minha força naquele momento veio da minha família, que sempre lutou nos coletivos negros. Fui honesta comigo mesma e lutei com as armas legais que podia”, comenta Coutinho sobre o episódio.

“Jornalismo é trabalho duro. Não é glamour”, enfatiza ao falar sobre a profissão e acrescenta – “As pessoas costumam confundir jornalistas com celebridades”. Maju mostrou se sentir incomodada com esse fato e contou que aprendeu a dizer “não” para palestras e entrevistas, pois precisa focar ao máximo no seu trabalho jornalístico.

Sobre seu trabalho no Jornal Nacional, Maju afirma que ela mesma apura todas as informações sobre meteorologia, busca especialistas de universidades e redige seu próprio texto que vai ao ar.

A jornalista finaliza a palestra contando de como se orgulha do trabalho que faz, que pretende ir muito além na carreira jornalística, e assume que pensa até mesmo um dia conseguir assumir a bancada do “Jornal Hoje”.

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No período noturno, foi realizada a última palestra do dia com o jornalista César Tralli, apresentador do “Jornal Hoje”. Ele iniciou falando sobre sua infância, de como ele sempre teve que conseguir bolsas escolares – como, por exemplo, em escola de inglês e cursos – pois sua família não tinha condições de ajudá-lo nos estudos.

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César Tralli.

 

“Desde pequeno enviava cartas aos jornais, dando minha opinião, questionando. Jornalismo sempre esteve presente na minha vida e sabia que era isto que eu gostaria de fazer”, comenta Tralli.

César Tralli iniciou sua carreira na Jovem Pan. Lá ele sobrevoava São Paulo em um helicóptero e falava ao vivo o que acontecia na cidade. Em 1993 foi trabalhar na Rede Globo, onde permanece até os dias de hoje. Já foi repórter correspondente, morou em Londres e visitou mais de 40 países diferentes. Tralli cobria principalmente escândalos políticos e economia internacional.

Atualmente, o jornalista apresenta o jornal SPTV, que em sua opinião tem “grande influência em São Paulo”, como se fosse um “grito de socorro”. No jornal, o apresentador expõe os principais problemas da cidade, questionando as autoridades em busca de soluções.

“É um desafio apresentar esse jornal. Eu represento a grande São Paulo na hora de dar críticas, mostrar as indignações, delatar problemas e elogiar quando necessário”, afirma o apresentador.

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Tralli finaliza contando que faz parte do seu trabalho se colocar no lugar das pessoas, ler suas histórias e escutá-las. E reconhece que é isso que falta no jornalismo contemporâneo.

Além disso, enfatiza que o jornalismo clássico está sendo procurado cada vez mais pelo público, e com isso traz novos meios de financiamento para o bom jornalismo, via crowdfunding na internet, por exemplo. O jornalismo clássico citado por Tralli é o jornalismo das grandes mídias, onde há apuração rigorosa dos fatos e investigações.

As palestras dos três convidados foram bem recebidas pelo público, majoritariamente alunos da graduação de jornalismo, abordando diversas áreas da profissão e suas dificuldades contemporâneas.

Por: Rafaela Regina – Fala! Cásper

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