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O que está em jogo na guerra às drogas? – 39ª Semana de Jornalismo da PUC-SP

Por Laura Jabur – Fala!PUC

 

A 39ª Semana de Jornalismo da PUC-SP teve como tema a América Latina. Durante o dia 23 até 27 de outubro, onze palestras tomaram os auditórios da universidade, no período da manhã, noite e tarde pela primeira vez. O tema central caminhou por diversas áreas, como a moda, o esporte e também a política.

A penúltima palestra da Semana, Jornalismo Investigativo: Narcotráfico e Políticas Antidrogas na América Latina, era uma das mais esperadas, devido à discussão ser tão presente, mas ao mesmo tempo pouco comentada. O auditório da universidade ficou lotado. Muitos alunos, professores e convidados assistiram ao debate em pé ou sentados no chão.

A mesa era composta pela pesquisadora do Instituto Terra Trabalho e Cidadania (ITTC) Lucia Sestokas, jornalista do Jornalistas Livres Maria Carolina Trevisan, jornalista da Folha de S. Paulo Fernanda Mena e Gabriela Moncau, ativista da Marcha da Maconha. O professor da PUC-SP André Russo, foi escolhido para intermediar o debate.

Antes de começar a fala das convidadas, foi projetado um vídeo do jornalista uruguaio Christian Muller, que apresentou todo o processo da legalização da maconha no Uruguai, e lançou questionamentos sobre o assunto atualmente. Em seguida, cada convidada teve quinze minutos para comentar sobre o tema de acordo com seus conhecimentos e opiniões.

Fernanda Mena apresenta panorama histórico da guerra às drogas. Foto: João Abel

 

Fernanda Mena começou o debate com um panorama histórico da proibição do uso de drogas e a influência histórica da imprensa nesse processo. Com uma apresentação riquíssima sobre o assunto, a jornalista apresentou dados e fotos de jornais digitalizados, até então desconhecidos pelo público.

O que mais chocou a quem assistia à explanação de Fernanda Mena foi a construção social e midiática da imagem das drogas com o passar dos anos. Em uma matéria do Jornal New York Times, em 1914, afirmava-se que o usuário negro de cocaína era resistente às balas de armas. Com o passar dos anos, absurdos como este foram deixados de lado, no entanto a mídia, com escolha de palavras, continua criminalizando seriamente todos envolvidos com drogas.

Logo em seguida, Maria Carolina Trevisan apresentou porcentagens sobre o encarceramento em massa, relacionadas ao tráfico de drogas, e também realizou uma série de análises sobre matérias publicadas atualmente sobre o tema. Junto à jornalista, os presentes puderem observar um exercício jornalístico justiceiro e pejorativo, em que a humanidade é deixada de lado.

A ativista da Marcha da Maconha Gabriela Moncau foi a terceira componente a falar. Ela comentou sobre a mudança na Lei de Drogas, em 2006, que ao invés de solucionar o problema, aumentou em 408% a população carcerária. Ela também levantou o questionamento sobre a diferenciação entre traficantes e usuários, o que, em sua opinião, apenas reforça a guerra às drogas e aos envolvidos.

Por último, a pesquisadora Lucia Sestokas comentou sobre o trabalho do Instituto com mulheres presas por tráfico de drogas, e apontou que o crime é o principal responsável pelo encarceramento (70%). Lucia Sestokas ainda apontou como as drogas são responsáveis por mudar totalmente uma narrativa, dando um tom pejorativo a ela.

Após a última fala, o debate foi aberto ao público, e todos os presentes puderam interagir por meio de perguntas para as convidadas. Entre as questões estava a consequência da liberação do uso da maconha no Brasil, a segurança do jornalista ao realizar uma reportagem envolvendo o tráfico de drogas e os direitos das mulheres presas devido ao tráfico. Todas essas questões foram contempladas pelas convidadas que tornaram o debate um dos mais ricos que a PUC-SP já recebeu durante todas as Semanas de Jornalismo.

 

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