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Funk: o gênero musical mais brasileiro possível, mas que ainda sofre com o preconceito

Por: Danielle Romanelli e Nathália Martins – Fala! M.A.C.K

 

O funk surgiu nos anos 60 com um ritmo mais lento, dançante e solto. Após alguns anos, passou a ser influenciado pelo Miami Bass – que são músicas mais erotizadas e com batidas mais rápidas. O estilo foi se espalhando e ganhando sua própria identidade nos EUA, junto com o surgimento do preconceito, por ser um ritmo pertencente às periferias.

Nos anos 2000, o funk brasileiro passou a fazer sucesso em todo o país e se tornou um gênero mais popular, sendo o estilo musical mais tocado em qualquer tipo de festa – mas mesmo assim ainda foi criticado pelas letras, a linguagem vulgar e obscena, a apologia ao crime, tráfico de drogas, a exaltação da sexualidade e por mostrar uma imagem da mulher como objeto.

“O funk sempre sofreu bastante preconceito, principalmente quem canta putaria […] até a minha própria família nunca acreditou que o funk ia dar certo para mim”, conta Lucas Machado, ou artisticamente conhecido como Mc LB, 22 anos, há 7 anos no ramo.

Foto: Danielle Romanelli
Mc LB e Isabella – Foto: Danielle Romanelli

 

A produtora Start Music, fundada por Marcelo Fernandes, é uma das maiores vendedoras de shows de São Paulo, e escolheu o Funk como seu segmento principal, por ser um ramo que abre portas para as pessoas da periferia.

“Esses meninos chegaram e eles têm a oportunidade de ganhar dinheiro da forma correta. Essa é a principal coisa que me fez trabalhar com o Funk”, relata Isabella Ramos, 19 anos, filha do dono e funcionária da produtora.

Foto: Danielle Romanelli
Mc LB e Isabella – Foto: Danielle Romanelli

 

“O Funk no Brasil tem tomado uma força muito grande, e por isso alcança todos os tipos de público. Tem muito mais a crescer perto de outros estilos musicais. É um orgulho porque é um ritmo abrasileirado”, opinou Paulo Marcos Medeiros Dias Ramos, conhecido como Mc Leonne, 22 anos, iniciando sua carreira musical.

MC LEONNE
MC Leonne

 

A discriminação, muitas vezes, já começa dentro de casa entre as próprias famílias, as quais não dão apoio pelo fato de planejarem outros futuros para seus filhos. O Mc LB, por exemplo, que era estudante de design de interiores, o segundo melhor da faculdade, largou o curso para tentar realizar seu sonho no mundo do funk, contra a vontade dos pais. Já o DJ Torricelli, 23 anos, conta que “algumas pessoas já me olham de cara feia por falar que trabalho com funk, uma coisa que já é discriminada em todo lugar – mas graças a Deus já quebrei muitos tabus por causa disso, não só na família, mas como na quebrada inteira”.

Foto: Danielle Romanelli
DJ Torriccelli – Foto: Danielle Romanelli

 

Entre os jovens, o preconceito é quase inexistente. O ritmo se tornou, nos últimos anos, um dos favoritos daqueles que estão entre os 15 até os 22 anos, devido à batida animada que dá vontade de dançar e anima qualquer festa. A jovem estudante Karla Marinho, 18 anos, conta que acha injusta a forma como tratam o funk.

“Na maioria das vezes as pessoas que dão opiniões negativas não conhecem realmente o gênero, e tiram conclusões com base em uma única música que ouviram”.

Miquésia Caroline, 16 anos, mora em Pernambuco e imagina o funk daqui há alguns anos como um gênero musical respeitado, assim como outros gêneros musicais.

Todo esse preconceito ainda está longe de ser vencido no mundo dos funkeiros, porém, conforme esse estilo musical ganha seu espaço na televisão, na rádio e na internet, o seu público acaba abrangendo classes sociais das mais baixas até as mais altas.

“O Funk é a música eletrônica brasileira, e hoje toca tanto nas baladas mais requisitadas, de poder aquisitivo maior, quanto na periferia. Podemos afirmar, sem dúvidas, que é o ritmo que mais cresce no Brasil, junto com o sertanejo”, finalizam DJ Pernambuco, 26 anos, e Yuri Martins, 22 anos – dois grandes nomes da área.

“Para os que julgam os Mc’s e pessoas que escutam Funk, eu diria que vocês precisam abrir mais a cabeça, porque em pleno século 21, julgar os outros por conta de um gênero musical não faz o menor sentido. O mundo é da diversidade e da liberdade de poder se expressar! Ninguém é obrigado a gostar de nada, mas respeito é essencial”, finaliza Karla, que acompanha a carreira de diversos Mc’s.

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Foto: Danielle Romanelli

 

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