Home / Universidades / Cásper / Fomos ver Les Mis

Fomos ver Les Mis

Dez de março, nove horas. Dentro do teatro Renault, a terceira chamada anunciou que o espetáculo estava para começar e o recinto encheu-se rapidamente. O palco estava ornado com dois “prédios” de madeira, cada um em uma extremidade, e entre eles se encontrava um telão que projetava tanto uma pintura em tons azulados quanto a assinatura, localizada no canto inferior, do autor da obra literária que inspirou a produção musical, Victor Hugo. Apesar de os produtores terem acreditado que essa assinatura era necessária, ela se mostrou irrelevante e fez lembrar peças amadoras que expõem o próprio título em telões, o que aconteceu antes de começar a apresentação e durante o intervalo dela.

lesmis_umbrella
Divulgação.

Ainda sobre o telão, ele foi utilizado para auxiliar a montagem do cenário. Isso foi uma ideia funcional porque além de ser uma ferramenta acessível, ajudou a produzir efeitos que não seriam possíveis com um cenário tradicional. Utilizar esta tecnologia criou um contraste interessante: o uso de uma invenção relativamente nova no musical mais antigo do mundo. O telão, todavia, não ofuscou o cenário tradicional. Na verdade, ele foi lindamente montado. A cena da barricada, por exemplo, foi uma em que o cenário se destacou mais, sendo simples, porém imponente e prático.

Dentre todas as cenas da peça, duas merecem destaque: a da música “Seu Anfitrião” (Master of the house) e também a da música “Lindas moças” (Lovely Ladies). A primeira teve sua coreografia muito bem executada e deu um tom maravilhoso de humor à peça, o qual ajudou a diminuir a carga dramática da obra; ao longo de todo o espetáculo o casal Thénardier, interpretado pelo Ivan Parente e pela Andrezza Massei, deu uma leveza a peça que não estava presente nem no filme de 2012, nem no livro. A segunda foi bem cativante não só pela grande presença da dança, mas também por não ter sido possível ver as atrizes entrando no palco quando este estava escuro, o que demonstrou uma grande técnica na iluminação.

Foto Divulgação
Divulgação.

O elenco da peça foi extremamente bem escolhido, todos possuem uma vasta experiência no mundo teatral e conseguiram captar a essência de seus respectivos personagens com maestria. Nicolas Cruz, que interpretou o pequeno Gavroche, merece ser mencionado porque apesar da pouca idade conseguiu dar sustentação a própria voz durante todo o espetáculo e também pelo fato de ter conseguido retratar a energia que seu personagem possui. Daniel Diges, que deu vida ao Jean Valjean, também merece ser citado por já ter interpretado esse personagem em seu país natal, a Espanha. Seu talento e sua experiência em dar vida a um personagem tão complexo compensaram a dicção falha devido ao seu sotaque, que dificultou o entendimento de suas falas.

Um aspecto negativo que nos chamou a atenção foi a peruca utilizada pela personagem Fantine, interpretada por Kacau Gomes. O cabelo da personagem é muito importante pois o corte dele tem uma simbologia grande dentro da peça: a decadência de Fantine. Era para a personagem ter as madeixas mais bonitas da história, no entanto a produção optou pelo uso de uma peruca que não atendeu tais requisitos. Outra questão cabeluda foi a diferença entre a Cosette criança e Cosette adulta. A primeira possuía cabelos castanhos e a segunda cabelos loiros. Essa diferença gerou uma contradição que poderia ter sido evitada com o uso de uma peruca.

Foto Divulgação (2)
Divulgação.

Não poderíamos encerrar essa crítica, sem elogiar o responsável pela versão brasileira da obra, Claudio Botelho. De maneira geral a adaptação foi surpreendente sem prejudicar nem a melodia nem as mensagens das músicas originais. Além disso, Claudio conseguiu manter a linguagem erudita, aspecto bastante importante para manter o contexto histórico do musical. Um detalhe que também merece atenção é a faixa etária do musical. Apesar de a obra retratar um tema adulto, complexo e fazer uso de palavras vulgares em algumas cenas, a classificação é livre. Cabe aos responsáveis, portanto terem o discernimento do que adequado ou não para a criança.

O musical possui muito mais acertos do que erros. E mesmo assim, os pontos negativos são irrelevantes perante a qualidade da obra. Sem a menor dúvida recomendamos esse musical para todos, principalmente para os amantes de história. Les Misérables estará em temporada até o dia 30 de julho e possui sessões às quintas e sextas feiras às 21h, aos Sábados às 16h e às 21h e aos Domingos às 15h e às 20h. O preço dos ingressos variam de R$50,00 até R$330,00.

Foto Divulgação (3)
Divulgação.

E para você que está sempre buscando um pouco mais de cultura nacional, confira também a exposição “Ocupação Laura Cardoso”, que acontece no Itaú Cultural e dicas de 10 filmes brasileiros disponíveis no YouTube.

Por: Bruna Anielle e Anna Paula Dechechi – Fala! Cásper

Confira também

Deadpool 2 e outros lançamentos ocupam estande da FOX na CCXP2017

Por Gabriela Almeida – Fala! Universidades   A Fox marcou presença, novamente, na CCXP deste ano e ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *