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11 filmes que compõem a essência do cinema brasileiro

Por Gabriel Pace – Pipoca Amanteigada

 

Nos últimos anos, o cinema brasileiro parece ter encontrado seu lugar com o público nacional. Sucessos de bilheteria do “cinemão” são cada vez mais frequentes, e a crítica internacional e brasileira está de olho nos nossos filmes que seguem para os festivais.

Só nos últimos anos, tivemos grandes longas como AquariusQue Horas Ela Volta? ou Praia do Futuro, que, além do sucesso da crítica, também fizeram barulho como o grande público.

Nós que celebramos o cinema não podemos deixar de olhar pro nosso país e para sua rica história cinematográfica. Por isso, separamos uma lista dos 11 filmes essenciais da extensa e belíssima filmografia do nosso país. Confira:

01. Vista da Baia da Guanabara (1898)

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Em 1898, o imigrante italiano Affonso Segretto, dono da primeira sala de exibição do Brasil, em uma de suas viagens para a Europa, trouxe de volta uma novíssima câmera de filmagem e, descendo no porto do Rio de Janeiro, fez algumas “vistas” da Guanabara. Não consta se a fita jamais foi exibida, mas a certeza é que estes minutos da paisagem do litoral carioca iniciou a trajetória do cinema nacional.

02. Os Estranguladores (1908)

os estranguladores

Depois que a energia elétrica de estabilizou no Brasil, no início do século XX, houve um surto das produções e exibições por aqui. E, além dos chamados “naturais” e  documentais, os produtores perceberam no filme de enredo, baseado em crimes reais e célebres, um filão. Os Estranguladores, de António Leal e Francisco Marzullo, é considerado o primeiro filme de enredo produzido no Brasil. Seus 40 minutos de rolo foram exibidos mais de 800 vezes no Rio de Janeiro e abriram o caminho para os longas nacionais.

03. O Mistério do Dominó Preto (1930)

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A atriz de teatro Cleo de Verberena foi a primeira mulher a dirigir um filme no Brasil, quando depois de receberem uma herança, ela e o marido venderam joias e propriedades e importaram equipamento da França. A diretora pioneira abriu caminho para as mulheres atrás das câmeras no Brasil (o que demoraria ainda mais para se estabelecer como uma constante) e também escreveu, produziu e estrelou em seu filme. Mesmo não conseguindo terminar seu segundo longa-metragem, Cleo ainda assinou o roteiro de Casa de Caboclo, filme dirigido por Augusto Campos em 1931.

04. Limite (1931)

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O filme de Mário Peixoto é uma verdadeira lenda do cinema nacional. Quando exibido, recebeu elogios de quase toda a crítica, nacional e internacional (Eisenstein era um de seus fãs), mas o filme ficou perdido e por muito tempo a única relação que os cineastas e críticos brasileiros tiveram com ele foi pela crítica da época – hoje já temos acesso à quase totalidade de Limite. Até hoje é considerado o melhor filme da história do Brasil, com uma experimentação de linguagem que seria considerada vanguarda mesmo em 2017.

05. Ganga Bruta (1933)

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Humberto Mauro foi o primeiro grande cineasta brasileiro a fazer carreira com suas realizações. Iniciando sua carreira no ciclo de Cataguases, o diretor seguiu para o Rio de Janeiro e influenciou todas as próximas gerações de cineastas do país – os cinemanovistas – por exemplo, o tinham como grande influência para um cinema verdadeiramente brasileiro. Mesmo tendo encerrado a carreira fazendo filmes documentais, suas obras máximas são as ficções, como Ganga Bruta.

06. O Cangaceiro (1953)

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Este filme da Vera Cruz foi pensado como um faroeste no estilo americano feito no Brasil, ou um nordestern. A tentativa da Companhia era emular a linguagem que dominava o cinema na época e fazer um verdadeiro filme de estúdio como os produtores dos EUA. O Cangaceiro demonstrou como o modo de produção dos americanos não cabia para nosso cinema da época, já que o alto custo de distribuição foi coberto pela Columbia Pictures, e os produtores de São Bernardo do Campo nunca conseguiram ganhar dinheiro com ele.

07. Barravento (1962)

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A estreia do diretor que é em quase todas as listas considerado um dos mais importantes – se não o mais importante – da história do Brasil. Glauber Rocha já havia experimentado o cinema em seu curta Pátio, mas é em Barravento que assume a direção de seu primeiro longa e inicia sua trajetória pelo Cinema Novo, colocando em prática suas ideias polêmicas e inovadoras de como deveria ser a linguagem e as temáticas de um verdadeiro cinema nacional, expressão do nosso subdesenvolvimento.

08. O Bandido da Luz Vermelha (1968)

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Estreia na direção de outro que também é frequentemente listado como um dos mais influentes da nossa filmografia. Rogério Sganzerla não só deu o pontapé inicial de sua carreira com um sucesso de crítica e até mesmo de público, como abriu as portas para o movimento do Cinema Marginal, que, apesar das confusões e rupturas, levou os preceitos do Cinema Novo além e permitiu a experimentação e a invenção no cinema brasileiro.

9. Macunaíma (1969)

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O público brasileiro quase sempre foi dividido entre a faixa mais culta, que assistia e prestigiava filmes como os do Cinema Novo, e uma outra mais popular, com quem a chanchada fazia maior sucesso. A adaptação de Joaquim Pedro de Andrade do clássico de Mário de Andrade foi bem recebida tanto pelos espectadores mais conectados com o “cinema de arte” quanto pelo grande público, em um momento de tropicalismo no auge, e por isso marca o cinema brasileiro com um filme praticamente universal.

10. Carlota Joaquina (1995)

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Este filme da diretora Carla Camurati é o grande marco da Retomada, e abriu o caminho para o estabelecimento do cinema brasileiro dos dias de hoje. Quando o governo Collor, em 1990, extinguiu a Embrafilme e cortou os investimentos do setor cultural, o cinema se viu em um beco sem saída e nos anos seguintes poucas obras foram produzidas no Brasil. A situação só melhorou depois da Lei do Audiovisual, que permitiu a criação de obras de peso como Carlota Joaquina, que conta com a presença de Marieta Severo e Marco Nanini nos papéis principais.

11. Tropa de Elite (2007)

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Cidade de Deus já havia marcado a ascensão do novo cinema nacional com seu público e uma aceitação internacional dos nossos filmes, principalmente com chamada cosmética da fome, mas é em Tropa de Elite que os espectadores no Brasil se encontram de fato com seu cinema e quebra recordes de bilheteria e de pirataria. O vazamento do filme antes da estreia afetou tanto o diretor José Padilha que, em Tropa de Elite 2, ele fez questão de estar envolvido com a distribuição para não ter nenhum tipo de problema e alcançou um recorde de bilheteria aqui no Brasil.

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