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FAIL 2.0 – Confira Como Foi o Rolê Que Reuniu Empreendedores e Universitários

Nós colamos no FAIL 2.0, um evento organizado pelo Diretório Acadêmico Guerreiro Ramos e mais 5 ligas de empreendedorismo, da FGV, do Insper, do Mackenzie, da USP e do ITA, realizado na aceleradora Oxigênio – um espaço de coworking.

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Foto: Laura Jabur.

 

A proposta do evento era a de trazer empreendedores que já falharam com os seus projetos, mas que a partir dos seus erros conseguiram dar a volta por cima, e que hoje estão firmes e fortes com suas devidas Start Up’s.

Com o intuito de proporcionar um clima descontraído, a organização caprichou e elaborou um happy hour logo após a apresentação dos três convidados da noite, justamente para que eles pudessem interagir com o público e trocar ideias sobre o mundo do empreendedorismo.

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Foto: Laura Jabur.

 

Com direto a degustação de cerveja artesanal e um Food Truck pra ninguém passar fome, o evento foi um sucesso danado – e se você não conseguiu comparecer, nós te convidamos a ler a entrevista que fizemos com os três speackers do evento. Confira:

01. Tiago Bispo

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FALA!: O que você veio compartilhar no evento?

T.B: Eu vim aqui pra contar minha história. A organização do evento estava procurando por alguém que já fracassou muito, e eu já estou no meu quinto CNPJ.

Eu cheguei a falir duas empresas, sendo que uma me rendeu o prejuízo de 200 mil reais e a outra de mais 500 mil. Depois disso, eu tive que vender outras duas empresas, que me deram a possibilidade de quitar essa dívida. Essas vendas eu também considero como um fracasso, porque o meu objetivo não era esse, de conseguir alavancar um tipo de negócio e depois vendê-lo – mas eu precisava fazer isso por necessidade.

No evento de hoje, eu nem sabia que o público seria universitário, e eu fiquei muito feliz com isso. A escola nunca vai te ensinar sobre o fracasso, e perder é algo necessário, é com ele que a gente aprende.

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Foto: Laura Jabur.

 

FALA!: O que você acha que falta no ensino acadêmico?

T.B: O ensino superior é apenas um reflexo do ensino básico, da escola. Eu acho que está tudo errado, tipo, eu não sei o que eu faria para mudar, mas o nosso atual modelo de ensino está completamente errado.

A educação que foi moldada para a revolução industrial é a mesma que está sendo aplicada hoje. A gente chega na faculdade e tem que aprender 10 matérias em um semestre, sendo que a maioria delas não vai acrescentar em nada.

Em uma das empresas que eu vendi, eu tinha um funcionário que tinha abandonado a escola na sétima série, e o salário dele era o mais alto da empresa.

FALA!: Você fez faculdade?

T.B: Eu sou formado em publicidade e propaganda. Quando eu entrei na faculdade eu já havia trabalhado na área, e inclusive já tinha mais experiência do que alguns professores. Eu peguei um pouco de preconceito por saber aquilo na prática, sendo que eles só sabiam na teoria – coisas que são totalmente diferentes.

02. Sthefane Torres

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FALA!: O que você veio compartilhar aqui hoje?

S.T: Eu já estou na minha sexta start-up, e foi muito bacana dividir os meus fracassos. No Brasil este é um tema muito subvalorizado, sendo que o erro é algo muito importante, é a partir dele que você limpa o que é desnecessário e foca apenas no que é essencial.

FALA!: Você acha está na moda abrir uma Start Up ?

S.T: Eu acho, e até sou meio old school neste sentido. Tem uma galera que vai muito pela onda, que acha que existe um formato de lançamento, que é tudo digital, que o aplicativo é legal de fazer e tal.

O certo é você sentar e avaliar a sua ideia. Às vezes, a sua ideia é muito mas é impossível de ser monetizada – e é por isso que nós precisamos avaliar o mercado, sentar ao lado do nosso cliente e tentar entendê-lo. Acho que essas etapas são fundamentais, e hoje elas estão em falta. Não invente um aplicativo que ninguém vá usar.

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Foto: Laura Jabur.

 

FALA!: Por ser mulher, é muito mais difícil empreender?

S.T: Olha, já chegaram a me perguntar qual era o homem por trás do meu negócio, e isso é muito triste.

Para mudar este quadro no meio do empreendedorismo, a mulher tem que se expor mais. A gente precisa acreditar mais no nosso potencial, e isso é uma responsabilidade que tem que partir da gente.

Mas acredito que é muito culpa da nossa formação também. A nossa educação faz com que as mulheres entrem num universo feminino de competição, de quem é a mais bonita, quem é a mais inteligente e qual é a que chama mais atenção. Nos contos de fadas e nas histórias infantis, por exemplo, é sempre uma bruxa que tenta acabar com uma princesa, por ela ser a mais bonita do reino – sendo que no final vai ser um homem que vai salvar essa princesa.

Há alguns anos atrás, fui contar a história da Rapunzel para minha filha – e ela me veio com o seguinte questionamento: “mãe, por que ela não deixa o príncipe e desce logo da torre?!”. Isso foi tipo um tapa na minha cara, dado pela minha própria filha, que na época tinha 4 anos de idade.

Acredito que nós não nascemos com esse preconceito, somos nós mesmas que passamos esse preconceito adiante, então o que devemos fazer é ocupar cada vez mais os espaços, seja no meio acadêmico, seja no mercado de trabalho.

03. Diego Libanio

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FALA!: Qual foi o erro mais trivial que você já cometeu?

D.L: Guardar a minha ideia. Isso foi um erro que eu percebi com o tempo, até mesmo depois de ter mais experiência com o empreendedorismo. Eu falo pra todo mundo hoje que você precisa compartilhar a sua ideia, mas para algumas pessoas específicas, já pensando num possível time para agregar e desenvolver a sua ideia em equipe.

A ideia, em si, tem um valor muito pequeno. O que vale muito é a forma de execução dessa sua ideia, e se você não montar um time bom para isso, ela nunca vai sair do papel.

FALA!: Qual você acha que é o pior vício da galera que está entrando agora no empreendedorismo?

D.L: Muita gente acha que abrir uma Start Up é mais fácil do que entrar numa grande empresa, só pelo fato de você não ter um chefe. Ao invés disso, eu posso adiantar que na prática é totalmente o contrário – você vai ser muito mais exigido.

Isso acaba gerando outro vício também, de que ao abrir sua própria Start Up você não vai precisar de um currículo forte, justamente por você ser o chefe daquele negócio – só que o baque é justamente esse! Você precisa estar ligado de que sua Start Up vai precisar de um investidor, e a primeira coisa que esse cara vai fazer é tentar entender quem você é, qual faculdade você fez e por quais experiências você já passou – até por que ele vai investir dinheiro no seu trabalho.

Trabalhar na sua própria Start Up pode ser um trabalho muito prazeroso, mas é muito árduo também.

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Foto: Laura Jabur.

 

FALA!: E qual é o erro mais comum que você enxerga no mundo do empreendedorismo?

D.L: Não pesquisar o mercado. A galera vai muito na onda da ideia que eles têm, e começam a desenvolver aquilo só por achar a ideia genial.

Antes de colocar na prática, você precisa entender o mercado em que você quer entrar, se já tem alguém participando dele, qual é o tamanho deste mercado, e se de fato alguém pagaria pela sua ideia.

Confira mais fotos do FAIL 2.0:

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

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Foto: Laura Jabur.

 

 

 

Por: Marcelo Gasperin e Laura Jabur – FALA! Universidades

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