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Quadros de um país – exposição no Itaú Cultural retrata a história do Brasil

Por Renan Dantas – Fala! M.A.C.K

 

Vislumbrar a história do Brasil por meio de objetos como moedas, mapas e gravuras. Esse é o objetivo da exposição Coleção Brasiliana – Espaço Olavo Setubal, no Itaú Cultural. Reunindo um acervo de mais de 15 mil itens, a coleção abrange todos os momentos históricos, desde os antecedentes das Grandes Navegações até o Brasil Modernista.

O acervo começou a ser construído na década de 60, quando Olavo Egydio Setubal adquiriu a obra “Povoada Numa Planície Arborizada”, do pintor francês Frans Post. A partir de então, o conjunto adquiriu forma e tornou-se a oitava maior coleção corporativa do mundo e a maior da América Latina.

A exposição é divida em nove módulos, cada um mostrando uma faceta do Brasil: o Brasil desconhecido, o Brasil holandês, o Brasil secreto, o Brasil naturalista, o Brasil na capital, o Brasil nas províncias, o Brasil Império, o Brasil da escravidão e o Brasil dos brasileiros, abrangendo de maneira única o desenvolvimento das terras tupiniquins.

 

O Brasil desconhecido

O primeiro módulo registra a evolução cartográfica, a chegada dos primeiros navegadores e o retrato dos habitantes indígenas. O Brasil estimula a imaginação dos europeus. Diante do desconhecido, a elite europeia especulava sobre as possíveis maravilhas do Novo Mundo. A cartografia, que permitiu o desenvolvimento das Grandes Navegações, esboçava os primeiros registros da Terra Brasilis. Os índios, diante dos aventureiros brancos, eram retratados como selvagens.

 

O Brasil holandês

Mauricio de Nassau é conhecido como um dos maiores incentivadores da cultura e do desenvolvimento científico no Brasil Colônia. Artistas e cientistas da comissão holandesa buscaram “desvendar” o Novo Mundo através de quadros e estudos. Na época, a Holanda vivia seu apogeu econômico e cultural. O Renascimento tardio holandês revelou inúmeros artistas de alta qualidade técnica. O Brasil acabou contemplado pela efervescência holandesa, deixando grande legado ao nordeste brasileiro.

Mauricio de Nassau

 

O Brasil secreto

O temor português de perder as colônias na América cresceu após a invasão holandesa. A precaução se tornou maior ainda quando foi achado o minério que a metrópole almejava desde o início da colonização: o ouro.  A colônia se fechou para visitantes estrangeiros enquanto o governo abafava qualquer indício de revolta ou revolução. Porém, a produção cultural cresce com as riquezas do ouro. O barroco se desenvolve com força nas cidades mineiras. E o Brasil ganha um dos seus maiores e mais enigmáticos artistas: Aleijadinho, que marca presença na seção com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Há ainda as obras originais dos inconfidentes, como Tomas Antonio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa.

Aleijadinho

 

O Brasil dos naturalistas

A chegada da Corte Real Portuguesa não significou só a abertura econômica. Significou também a abertura para as maravilhas brasileiras. Dezenas de artistas e naturalistas aportaram nas terras brasileiras com a intenção de desbravar as suas belezas naturais. O próprio Rei Dom João incentivou a empreitada, com a convocação de expedições de artistas para pintar o Brasil. As paredes do módulo se enchem de pássaros com cores vibrantes e detalhes fascinantes. O índio ainda exerce fascínio sobre o europeu. Estudos detalhados da fisionomia indígena também são exibidos.

 

O Brasil da capital

O Rio de Janeiro, como capital do Brasil, recebeu a atenção dos retratistas e viajantes. Imagens de costumes e da vida cotidiana dos cariocas ganham vida nas mãos de artistas como J.B. Debret e J.M. Rugendas, originário de Augsburgo, Alemanha. Não por acaso, o cenário belo e encantador da Baía da Guanabara e do Pão de Açúcar eram os mais retratados.

 

O Brasil do Império

Esse momento histórico recebeu grande atenção de artistas como J.B. Debret. Quadros, insígnias, moedas, condecorações e bustos permeiam toda a seção e fazem transparecer a magnificência da realeza.

 

O Brasil da escravidão

A escravidão, enraizada na sociedade brasileira, se fez presente nas obras de artistas estrangeiros. O inglês Henry Chamberlain lançou uma coleção de gravuras em Londres em 1817, retratando a situação desumana vivida por escravos. Não à toa, a Inglaterra iria liderar a abolição da escravidão nas Américas.

Henry Chamberlain

 

O Brasil dos brasileiros

O Brasil adentra o século XX como República e com um projeto de nação. Os modernistas traduzem isso muito bem em suas obras e manifestos. A cultura nacional deveria ser valorizada em prol da cultura europeia reinante. Na seção, é possível encontrar livros autografados pelos líderes do movimento, como Mário e Oswald de Andrade, e o pôster da Semana da Arte Moderna de 22.

 

Espaço Olavo Setúbal

Funcionamento:

De terça a sexta, das 9h às 20h
Sábado, domingo e feriado, das 11h às 20h

Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149 – Pisos 4 e 5

 

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