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Estudantes fazem ocupação de prédio da PUC-SP

Por Gabriel S. Damião – Fala! PUC

 

Alunos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ocuparam, nessa terça-feira (3 de outubro) o edifício Cardeal Motta, conhecido como “Prédio Velho”. A ação vem em resposta a uma série insatisfações estudantis sobre diversas políticas adotadas pela universidade ao longo dos anos, como aumento de mensalidades, políticas de permanência insuficientes e diminuição no número de bolsas. No entanto o estopim se deu após a decisão de cancelar disciplinas e não abrir turmas no vestibular de verão 2018.

Em uma reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), foi deliberada a abertura de apenas uma turma de Ciências Sociais no período matutino, sem a tradicional sala noturna, e cortes na graduação em bacharel de História. Os alunos da Faculdade de Ciências Sociais então decidiram resistir a sentença por vias institucionais, levando a pauta ao Conselho Universitário (CONSUN), instância máxima composta por representantes dos alunos, professores, funcionários e a reitoria, no dia 20 de setembro. Contrariando a decisão do Cepe, foi aprovada a abertura de matrícula para as duas turmas do curso. Contudo, toda resolução que acarrete em mudanças de natureza administrativo-financeiras deve passar pelo Conselho de Administração (CONSAD), criado para sanar dívidas econômicas da instituição anos atrás, na qual apenas dois secretários executivos da Fundação São Paulo (FUNDASP), mantenedora da PUC-SP, e a reitora têm direito a voto.

Após um acordo pela presença dos alunos no encontro pelo período da tarde, a reunião fechada do CONSAD, foi realizada no dia 28 de setembro no período da manhã, dando o veredito final de que apenas a turma do matutino de Ciências Sociais seria aberta no ano de 2018, com 1 voto contra a turma única, do secretário executivo João Julio Farias, e dois a favor, do padre Rodolpho Perazzolo e da reitora eleita Maria Amalia Andery.

Após a divulgação do resultado, estudantes de Ciências Sociais paralisaram suas atividades no terceiro andar do Prédio Velho. Então ocuparam o mesmo andar, e poucas horas depois estavam ocupando todo o edifício, até fecha-lo contra entrada de funcionários no final da tarde.

Maria Amalia compareceu pessoalmente em alguns momentos no local ocupado, mas sem atender a principal demanda do movimento estudantil: uma reunião aberta com ela e representantes da FUNDASP. Alunos descrevem os encontros como “bate-papo no corredor” pela informalidade e rapidez em que se deram.

Em um e-mail oficial enviado ao corpo estudantil durante a tarde do primeiro dia, a reitoria cedeu em sua decisão e optou por manter a matricula para duas turmas em 2018, entretanto, pautas anteriores a ocupação foram incorporadas como motivos de continuidade da mesma.

Ao longo dos dois dias, mais estudantes e centros acadêmicos aderiram à ação com apoio e participações diretas, englobando Psicologia, Direito, Relações Internacionais, Artes do Corpo, Jornalismo e muitos outros. Com o crescimento em número dos ocupantes, diversas assembleias de curso e gerais foram organizadas, chegando a contar com mais de 100 manifestantes, discutindo o futuro do movimento estudantil na atual instância.

Entre medo constante de serem fotografados por celulares e discordâncias de militância, os universitários definiram a hierarquia de suas pautas, deixando como principais reivindicações a diminuição imediata das mensalidades e vigência desta por 2018, não criminalização dos envolvidos, fim do quórum mínimo (incompatível com a realidade de alguns cursos) e aumento do número de bolsas providas pela Fundação São Paulo.

A ocupação do Prédio Velho se mantém dia e noite, com estudantes dormindo em salas de aula e corredores, contando com auxílios em alimentos, cobertores e outros itens essenciais para a permanência. Ao início das atividades do campus, se iniciam também reuniões e assembleias, que cada vez contam com mais alunos engajados, incluindo de outras universidades como Psicologia USP, apoiando as pautas do movimento estudantil.

Nota oficial da Reitoria (03/10): 

NOTA CONJUNTA DA REITORIA E DIREÇÕES DE FACULDADE

Em face da reivindicação de estudantes do curso de Ciências Sociais, que pediam, inicialmente, a abertura da turma noturno do curso de Graduação em Ciências Sociais para o Vestibular de 2018, indeferida pelo Conselho de Administração (CONSAD), a Reitoria, em reunião com os diretores das faculdades da PUC-SP na data de hoje, vem a público informar o que segue:

– A Reitoria recebeu recurso da Direção da Faculdade de Ciências Sociais e da Coordenação do Curso de Ciências Sociais, no qual recorrem da decisão do CONSAD e solicitam a oferta da turma no noturno da Ciências Sociais no Vestibular de 2018;

– O referido recurso foi deferido, ou seja, a turma será oferecida no Vestibular de Verão de 2018.

– A Reitoria e as Direções de Faculdade permanecem abertas ao diálogo com os estudantes acerca de possíveis outras reivindicações, com a Universidade em funcionamento normal.

São Paulo, 03 de outubro de 2017.

Reitoria da PUC-SP

Direção da Faculdade Ciências Sociais

Direção Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia

Direção da Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde

Direção da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde

Direção da Faculdade de Direito

Direção da Faculdade de Economia, Administração, Contábeis e Atuariais

Direção da Faculdade de Educação

Direção da Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes

Direção da Faculdade de Teologia

 

Nota do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS):

NOTA DE OCUPAÇÃO DO PRÉDIO VELHO

PUC,3 DE OUTUBRO DE 2017

Os estudantes dos cursos de Ciências Sociais e História estão agindo contra os cortes na universidade. Nesta manhã começamos paralisando nossas aulas, depois todo o último andar do prédio velho e agora estamos expandindo para todo o prédio. Damos início a um processo de ocupação da PUC contra as medidas de austeridade da FUNDASP e a gestão democrática da Maria Amália, que só dialoga com o capital. Convocamos estudantes de toda a universidade, especialmente os que fazem parte dos cursos considerados não rentáveis pela PUC e FUNDASP e nossos colegas de prédio, para somarem na ocupação. Exigimos a realização do vestibular para o período noturno de Ciências Sociais e História de 2017, e também a extinção do quórum mínimo, permanência estudantil (manutenção das bolsas e garantia de duas refeições diárias) e redução das mensalidades. Convidamos todos os estudantes a construírem a ocupação visando uma universidade libertadora, popular e não mercantilizada.

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