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Cinedebate na Cásper – “Quem Matou Elóa?”- É preciso falar sobre responsabilidade midiática.

Por Isabella von Haydin – Fala! Cásper

 

“Sequestrador de Eloá chora na cadeia”. “’É prova de amor’ diz advogado de sequestrador de Santo André”. “Sequestrador era considerado calmo pelos amigos”. “Caso Eloá: ‘Recebam de coração aberto a versão do menino’, diz advogada de Lindemberg’’. Durante o tempo em que o caso Lindemberg repercutiu, matérias romantizando o crime não eram raras.

Foto: Isabella von Haydin

 

O jovem ganhou uma imagem construída pela mídia de que era um bom moço, apaixonado, calmo e trabalhador. Inconformado, realizou um crime de amor. Mas o que seria um crime de amor? Até que ponto o feminicídio será “justificado” pela própria imprensa?

Nesta quarta-feira, a Faculdade Cásper Líbero recebeu o Cinedebate do documentário “Quem Matou Eloá?”. Organizado pela Frente Feminista Casperiana Lisandra em parceria com a Coordenadoria de Cultura Geral. O evento lotou e gerou um importante debate sobre feminicídio, o caso de sequestro ocorrido há 9 anos atrás e responsabilidade midiática.

Dirigido por Lívia Perez, uma das convidadas, “Quem Matou Eloá?” relata o impacto da mídia no Caso Lindemberg e promove a discussão que o intitula. Feito utilizando trechos de matérias exibidas ao vivo e com comentaristas do sexo feminino a produção é simples, objetiva e impactante.

 “Eu quis que essas mulheres fossem ouvidas independente de suas profissões.” Comenta a diretora por ter optado não divulgar o nome e ocupação das pessoas que analisaram o ocorrido em seu projeto.

Foto: Isabella von Haydin

 

Além de Lívia Perez, estavam presentes na mesa de debate Carla Vitória (organizadora da Marcha Mundial das Mulheres), Juliana D’Avila (casperiana mediadora), Vivyane Garbelini (ex-aluna, mestra e pesquisadora feminista) e Marina Ganzaroli (Co-fundadora do Coletivo Feminista Dandara). Da direita para a esquerda, respectivamente.

Em 2008, Lindemberg Fernandes Alves sequestrou duas jovens e as manteve em cativeiro pelo tempo mais longo registrado no estado de São Paulo. O fim foi com uma delas baleada e a outra morta. Casos como esse são noticiados apenas após seu fim. Entretanto, houveram entrevistas ao vivo enquanto as jovens eram mantidas em cárcere privado, edições e títulos sensacionalistas, além da omissão da chocante diferença de idade entre ambos: Ele 22 e elas 15.

Não importa que a jovem era ex-namorada de Lindemberg, não importa sua conduta, não importa a personalidade do agressor. Por que ninguém achou estranho ela ser de menor? Por que não enquadramos o caso como feminicídio? A cobertura teria sido da mesma forma se fosse uma adolescente da classe A?

Até que ponto a violência contra a mulher será justificada e um comportamento agressivo será esperado e normalizado como natural do homem? Essas questões foram debatidas pelos estudantes e profissionais presentes.

Uma discussão muito importante trazida à tona é a responsabilidade que os veículos e repórteres possuem em retratar a verdade. Especialmente em ambientes de comunicação. Marina G. apontou que o Brasil é o 5° país em casos de feminicídio, mas ao pesquisar no Google pouquíssimas matérias apresentam a palavra em questão. Em contrapartida, expressões como inconformado e crime de ciúmes/passional apresentam centenas de resultados.

Também foi questionado o porquê de o caso ter sido conhecido pelo nome da vítima, ao invés do agressor. A moça foi exposta, apontada como culpada e a sociedade, que acompanhou seus cinco dias de tormento como uma espécie de reality show, carrega sua parcela de responsabilidade. Afinal, quem matou Eloá?

 

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