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Cine Debate na PUC: exibição do curta “Eu Vi” marca os 50 anos da morte de Che Guevara

Por Paola Micheletti – Fala! PUC

 

Na última terça-feira (24) aconteceu o “Cine Debate: Produção Documental”, em que o documentário “Eu Vi”, curta de pouco menos que vinte minutos foi exibido a alunos e professores no auditório Paulo VI. O evento fez parte da 39ª Semana de Jornalismo da PUC-SP, que rolou de segunda a sexta no Campus Monte Alegre, e teve como tema principal o jornalismo e a América Latina.

Foi a primeira vez que a Semana de Jornalismo contemplou os estudantes do período vespertino, turma aberta em agosto de 2016. Entre as três atividades programadas para o horário da tarde, das 14h às 17h, estavam os cine debates e a mesa de fotojornalismo independente na América Latina. Abrindo a programação vespertina, o encontro de terça-feira (24) contou com a presença dos diretores Pedro Biava e Fábio Eitelberg, da repórter Helle Alves e do professor da universidade Mauro Luiz Peron, responsável pela mediação do debate.

O filme “Eu Vi” conta a trajetória da equipe de reportagem brasileira que cobriu a morte de Ernesto Che Guevara, em outubro de 1967. A repórter Helle Alves, o fotógrafo Antônio Moura e o cinegrafista Walter Gianello, todos dos Diários Associados, chegaram à Bolívia para cobrir o julgamento do jornalista Regis Debray. O francês havia sido preso por fazer parte da guerrilha que andava pelas matas bolivianas. Mas, o faro jornalístico da equipe levou-os a participar de um dos momentos mais importantes da história mundial, um verdadeiro furo de reportagem.

Hoje aos 91 anos, a jornalista Helle Alves saiu de Santos, onde mora, e foi até a PUC para conversar com os estudantes. Para ela, “falta muita rua para o jornalismo de hoje”, e convidou os futuros jornalistas a se arriscarem mais. Quando questionada se sentiu medo ou sofreu alguma ameaça, Dona Helle contou que mesmo com filhas para criar, àquela altura sentia que estava fazendo história: “quando você mergulha na reportagem, não tem o que te faça parar”, confessou.

Os diretores do curta, também disponível na página do Coletivo ReVira-Lata no YouTube, contaram que a ideia de registrar a história do furo de reportagem da morte de Guevara surgiu justamente da intenção de preservá-la. “Muita gente não sabe que foi uma equipe brasileira que deu a notícia, muito jornalista não sabe”, disse Biava. Quando começaram, contavam apenas com alguns registros e a memória da repórter, até que finalmente descobriram o paradeiro das fotos de Antônio Moura, integrante da equipe de 1967. Segundo Eitelberg, algumas delas estavam guardadas em uma pastinha, outras haviam sido destruídas. Mas, depois de muito procurar, foram parar em suas mãos e tornaram-se parte fundamental do filme.

Em uma das sequências mais emocionantes, Dona Helle é colocada de costas para a câmera diante de uma ampla tela em que estão projetadas as fotografias do companheiro de reportagem. A jornalista narra e descreve o homem que morreu em nome da revolução, mas também, relata com detalhes minuciosos o ambiente do lugar que recebeu o corpo de Guevara. No filme, há ainda entrevistas com Wilson Gomes, chefe de reportagem do Diário de SP em 1967, com Inaê Moura, filha de Antônio Moura, e Aleida Guevara, filha de Che. Para o professor Peron, que estuda a estética do cinema, a produção do coletivo relaciona vida e morte na figura de Guevara sem extrapolar os limites de uma narrativa contida, que não idolatra e não carrega de juízo de valor o principal símbolo da Revolução Cubana.

 

Confira o documentário:

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