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Caio F. Abreu e a sua fama

“Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um amor, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem. Olha por todos aqueles que queriam ser outra coisa qualquer a que não a que são, e viver outra vida se não a que vivem”.

Este texto, dos tantos outros que poderia transcrever, reflete um Caio Fernando Abreu (1948-1996) totalmente preocupado com a vida saltando nos cantos: das cidades, dos apartamentos, dos relacionamentos que às vezes (ou na maioria delas) não dão certo. Nascido em Santiago, Rio Grande do Sul, Caio foi um grande contista brasileiro. Também foi poeta, pintor de almas, esclarecedor de sentimentos, Jornalista irrequieto, dramaturgo impecável, confuso e doído nas horas vagas. Absteu-se da dialética pura e simples e suas palavras, enquanto discurso, ecoou no cérebro do deselegante, marginal, e triste. Por alguma razão, sua obra ainda se faz desconhecida, e revela-se por caminhos alternativos, escondidos sobre a curiosidade dos que se perguntam acerca da inquietude do mundo; do que falha e não volta mais.

CAIO

Caio, muito além de frases do Facebook/Google, perpassa a ponte entre ‘o escrever e o atirar-se’, encontrando-se nos próprios relatos triviais de que conta em seus livros. Como por exemplo, numa parte do primeiro conto de Morangos Mofados, quando fala “tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé alguma? Passa as mãos em minha cabeça, toca meu coração  com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia”. Ele, assim como nós – e me vejo, vejo todo mundo -, estava dizendo que havia acabado ali, naquele instante. Caio, como escritor, fascina pois vai-além. Da sensibilidade, do humanismo, e da sede pelo infinito, como já dizia Cecília Meireles.

Morrendo aos poucos; viveu uma vida deliberadamente poética, lúdica, e fantasiosa. Já em estágio terminal da doença que o matou (contraiu o vírus HIV), conseguiu alegrar-se no cotidiano dos dias, nos textinhos mais banais que escrevia e na fome – esta, irrevogável -, que o fazia permanecer. Caio Fernando Abreu, nos deixou um grande acervo, e seus principais livros (inclusive, ganhou o Prêmio Jabuti por Triângulo das Águas) são Morangos Mofados, Limite Branco, Por onde andará Dulce Veiga, Ovelhas Negras, O ovo apunhalado e Os dragões não conhecem o paraíso.

“Mas para nós, que nos esforçamos tanto e sangramos todo dia sem desistir, envia teu Sol mais luminoso, esse Zero Grau de Libra. Sorri, abençoa nossa amorosa miséria atarantada.”

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Por: Igor Pires – Fala!M.A.C.K

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