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Ato Pró Impeachment na PUC Termina em Confusão

Durante a noite de segunda-feira, 21 de Março, um ato pró impeachment organizado por alunos da FEA PUC aconteceu em frente aos famosos bares da rua Ministro de Godói. A manifestação corria bem, até que outros alunos da própria PUC se revoltaram e formaram uma frente de esquerda contra o protesto, tal qual estava atacando o centro acadêmico do curso de direito, O 22 de agosto, por conta do ato realizado no teatro TUCA na última quarta-feira (16).

A troca de gritos foi incessante. Um clima pesado. Quando os esquerdistas reivindicavam algo, como a desmilitarização da PM, o pessoal do carro de som ligava uma música absurdamente alta, ou gritavam: “viva a PM!”; para que assim, os gritos esquerdistas fossem anulados.

Ao longo de toda a manifestação, um projetor iluminava um dos prédios da rua, ironizando a manifestação que relacionava o pensamento direitista.

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Ao final do protesto, a Polícia Militar atirou bombas de efeito moral e balas de borracha contra a frente esquerdista que se formara, enquanto a frente da direita se encontrava atrás dos policiais.

Confira o compilado de 4 vídeos feitos por cinegrafistas amadores:

Ao procurarem abrigo no Hostel Bar para se esconderem, os alunos foram taxados de “petistas”, e segundo o dono, “deveriam voltar para o lado de fora para receber as bombas”, colocando assim todos os que tossiam, choravam e passavam mal, de volta ao campo de batalha. Um boicote está sendo promovido pelos alunos da faculdade contra o bar.

Para finalizar, arremessaram garrafas de cerveja nas pessoas que assistiam o confronto de dentro da PUC e das escadarias.

O secretário de segurança pública, Alexandre de Morais, considerou legítima a ação da PM,  já a reitoria da PUC divulgou uma nota dizendo ter sido lamentável o ocorrido, mas sem apontar os culpados.

Um dos organizadores do evento, o estudante de Economia do Mackenzie Júlio Lins, citou o artigo quinto da constituição Federal de 1988, a qual diz que “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”, justificando assim a ação dos militares.

É fato que a tentativa de frustrar o protesto aconteceu, mas apenas porque as próprias salas de aulas já haviam sido anteriormente frustradas com toda a barulheira feita.

Há relatos que uma bomba atingiu o interior da PUC, e que a situação das pessoas que só observavam a confusão das varandas não era muito diferente das que estavam na rua – muita tosse, choro e queimação.

Um ato contra a ação fascista da PM foi convocado às pressas para o dia de hoje, terça-feira  (22), para que todos fossem informados sobre o que aconteceu. Alunos e professores que tiveram suas vozes caladas na noite anterior puderam falar livremente sobre o que pensavam.

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Defender a PM na PUC é não conhecer a história da PUC !!!

Confira a entrevista completa que fizemos com o aluno Júlio Lins:

01 – Júlio, você pode contar, a partir da sua percepção, o que fez com que a Polícia Militar agisse com violência?

R: O art. 5º, XVI, da Constituição Federal, assegura que “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”. O que ocorreu, em verdade, foi uma clara tentativa de frustrar a manifestação a favor do impeachment e contra a corrupção que havia sido anteriormente convocada. Desde o início do ato, simpatizantes do PT tentaram intimidar manifestantes, chegando ao ponto de, inclusive, tentarem invadir o caminhão de som. Durante meu discurso, ouvi entoarem o grito “volta pra Manaus”, devido à minha origem. Por fim, após tentarem dar a volta na escadaria da PUC na rua Ministro Godói, arremessarem pedras em policiais e rasgarem faixas dos manifestantes pró-LavaJato e impeachment, a polícia militar interveio para impedir que fôssemos agredidos. Neste momento, estávamos, inclusive, em menor número.

02 – Neste episódio que ocorreu na PUC, você é a favor ou contra a atitude da polícia militar em agir com violência?

R: Sou a favor de que a Constituição seja cumprida e que os direitos fundamentais sejam respeitados. Deve-se, neste país, ter apreço pelo contraditório, com tolerância e republicanismo. Durante o evento pró-PT, realizado na PUC, nenhum manifestante contrário tentou frustrar a manifestação. Afinal, estes são princípios basilares de qualquer democracia. Como diria Voltaire: “posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizeres”. Não podemos replicar, no Brasil, infelizes acontecimentos como o aprisionamento, em Cuba, de manifestantes contrários à ditadura da família Castro, em razão da visita de Obama. Não permitiremos.

03 – Você pode defender, brevemente, sua posição sobre ser pró impeachment?

R: O impeachment é um mecanismo constitucional, presente em qualquer República, com previsão legal nos artigos 85 e 86 da Constituição Federal de 88. Pode – e deve – ocorrer em razão de crime de responsabilidade cometido pelo Presidente, Vice-Presidente e Ministros. No caso de Dilma Rousseff, houve inúmeras infrações cometidas, como obstrução da justiça e as chamadas pedaladas fiscais. No mais, Dilma foi eleita com dinheiro de propina – como fica cada vez mais claro com as colaborações premiadas dos principais empreiteiros brasileiros, além do marqueteiro e tesoureiro do PT – com a apresentação de documentos que comprovam tudo. Por tal, a Presidente pode ter sua chapa cassada pelo TSE. Que a Constituição seja cumprida. Que o povo seja ouvido. Que a justiça seja feita.

Confira também a opinião de outros alunos, que se expressaram nas redes sociais:

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A FEA também fez questão de soltar uma nota para deixar claro a sua opinião sobre o ocorrido:

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Por: Daniel Yazbek – Fala!PUC

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2 Coment.

  1. Por que acreditavam ser de Voltaire? Tenho pra mim que a frase é realmente dele, claro que dita em francês e melhor traduzida quando usado o plural majestático

  2. Lilia Tandaya

    Gostei da exposição da situação, das imagens, da entrevista, dos diferentes posicionamentos… Tbm com a conclusão “Alunos e professores que tiveram suas vozes caladas na noite anterior puderam falar livremente sobre o que pensavam.”, tive impressão que a PUC, a FEA (que esclarece “colocamos as divergências de lado”, item 2, como assim?), o Mackenzie e outras instituições de ensino precisam promover mais agenciamentos, fóruns, seminários, onde se debata os posicionamentos… Não faz sentido a inteligência em formação ir pra rua, pro “campo de batalha”, num “confronto”. Se a inteligência não conseguir dialogar, debater, em busca de consenso, como poderemos ser uma sociedade pacifica que respeita o próximo?

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