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A realidade e sonhos dos artistas de rua de São Paulo

Por Heloise Pires – Fala! FIAMFAAM

 

São Paulo, a terra da garoa que não tem água, a cidade que agora é cinza, mas como símbolo de resistência carrega dentro de si as cores mais intensas que só os paulistas sabem aonde encontrar e identificar. Essa terra que transborda gente tanto dentro como fora, carrega também por suas entranhas, alguns guerreiros marginais, mais conhecidos como artistas de rua. Dentro desse gênero tão diverso, existem aqueles que trabalham com a música e que usam deste instrumento para alcançar os seus desejos maiores.

Dentro das vísceras paulistanas encontramos Renan Augusto Silva de Sousa, 23 anos, músico de rua, natural de Santos, praia paulista, que conta que começou nesse meio influenciado pela mãe que era puxadora de Samba na cidade, aos nove anos de idade comprou seu primeiro violão com o dinheiro que ganhava por vender coxinhas nas ruas, logo começou a ser influenciado também pelo irmão mais velho, porém agora as influências provinham mais do lado do Rock nacional. Quando adolescente Renan viu um amigo de seu pai tocar um violão distinto do seu, ao se apaixonar pelo instrumento propôs a ele a compra deste, Beto, amigo de seu pai não colocou muita fé no menino, mas vendeu o violão por 30 reais. Após a compra Renan se juntou a alguns amigos e formou o que seria a sua primeira banda, chamada Making Off, que não deu muito certo, mas Renan não desistiu e começou a sua carreira solo, agora já compondo suas canções.

Renan cresceu, adotou como nome artístico Tiziu e começou a tocar nas ruas e metrôs. Acredita que com essa atitude se dissemina a cultura brasileira sem exclusão, crê também que essa é uma maneira de tirar as pessoas da solidão camoniana que tanto predomina nesta cidade.

Tiziu, com a arrecadação que consegue nos transportes públicos e em alguns trabalhos paralelos financia o seu futuro cd e paga as suas contas.

Outro grupo que busca a felicidade dos cidadãos paulistanos e em troca busca almejar os seus sonhos é o grupo formado pelos jovens Alice Almeida, 18 anos, Beatriz Mendes, 17 anos, Juliana, 16 anos e Lucas Macedo, 16 anos. Esses meninos têm como objetivo ir para a marcha mundial da juventude no Panamá em 2019, eles estão tocando há sete meses e são todos jovens católicos.

Lucas começou primeiro com outros amigos que tinham o mesmo objetivo, porém estes desistiram e Lucas continuou chamando posteriormente todos os outros integrantes do grupo. Todos relatam que a gratidão do público alvo é algo incrível e como religiosos acreditam que todo esse resultado é uma benção de Deus.

Todos tocam só aos sábados devido ao período escolar, porém mesmo assim contam a dificuldade que é tocar em um lugar aonde a arte de rua é proibida, então como forma de arrecadação eles vendem coxinha e bolo.

Olhando a cidade e a atitude de todos os entrevistados há de se acreditar que sim, precisamos de mais artistas de ruas para alegrar a nossa rotina tão cansativa. São Paulo é uma cidade realmente de contrastes, pois aqui se proíbe o que mais precisamos, sorrisos provindos da arte da rua.

 

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